
Acredito que a vida de nossos antepassados tem influencias em nossas vidas. É um círculo que segue no tempo com suas influências. Por isso as vezes acho tão importante entender e conhecer a vida de nossos parentes próximos.
Bem, a única maneira que posso fazer isso é me inundar de informações vindas de meus pais , pois meus avós já se foram há muito tempo . Meus avôs não pude conhecer. Infelizmente. Tenho na memória histórias que meu pai contava pois ele também não está mais aqui. Ele deixou esse buraco no meu peito e essa saudade insuportávelmente interminável e sufocante de dor.
Bem, conto com minha mãe pra me ajudar e me contar histórias da família dela as quais estamos salvando para futuramente publicar as nossas Memoirs...se é assim que se escreve, e também relembrando o que ela já sabia da família do meu pai também.
Assisti esse filme familiar branco e preto filmado com uma câmera super limitada que em 1938 era super novidade.
Neste filme pude ver meu avô , minha linda avó, meu pai com 4 anos de idade e meu tio que não cheguei a conhecer pois morreu quando eu tinha 3 anos de idade.
Meu avô embora não tivesse tido a oportunidade de conhecer ele me passa uma impressão de força e poder incríveis. Ele era o eixo da família. O bem sucedido fazendeiro de café que fez fortuna. Ele era o genioso Raposão. Sua feição é super intrigante pra mim no filme. É como se através do filme ele pudesse me passar a mensagem de quem ele era , e como ele era como pessoa, quais seus sofrimentos e angústias,quais suas teimosias e durezas.
Minha avó que eu tive o prazer de conhecer ( estou falando ainda só da família do meu pai) tinha um rosto lindo , calmo e alegre no filme quando estava sempre ao lado do marido (meu avô) ou dos filhos ( meu pai e meu tio).
Bem , meu tio morreu com 41 anos de idade por conta de falência dos rins. E hoje minha mãe me disse que meu avô já tinha morrido quando meu tio ficou doente e veio a falecer.
Well, nas gravações de 1972 , eu já era nascida e pude alegremente me ver no colo de minha mãe e também ver no filme a minha outra adorada avó ( mãe de minha mãe) que eu também tive tanta alegria de conviver e ser paparicada por ela. Vovó Tita estava linda, com a carinha tranquila e com um vestido de cor escura ( o filme ainda era branco e preto) e brilhante. Me deu tamanha alegria ver a minha avó materna que tanto ajudou minha mãe a cuidar de mim e lembro-me de quando ficávamos na janela de casa a contar os carros passar na rua para que eu me acalmasse enquanto meus pais não voltavam pra casa. Lembro-me também quando eu deitava no sofá com meus pés no colo dela e a mãozinha macia dela me acariciava os pés. Mas voltando ao filme de 1972 onde pude me ver já com 5 anos,me marcou a expressão de minha avó paterna neste filme.
Seus olhos tristes e cansados marcavam uma dor da qual ela nunca pôde se curar que foi a morte de meu tio com 41 anos . Impressionou-me a diferença de sua feição naquele filme de 1938 e dos outros seguintes comparando-se com este de 1972. Seu rosto ficou marcado pela dor.Sua alma era ferida. Pois a gente nunca conhece inteiramente uma pessoa não é? A gente passa a vida geralmente escondendo as dores pois a sociedade rotula que é feio escancarar os sentimentos e então não podemos saber de verdade o que aconteceu com nossos amados do passado ou até mesmo do presente. Meu pai era muito fechado. Eu era muito fechada quando pequena. Agora eu escancaro, sabe..eu gosto da ideia que as pessoas que tiveram oportunidade de me conhecer saibam quem eu fui. Um dia quando não estiver mais aqui quero que minha filha e meus netos saibam direitinho quem fui eu. Que sentimentos tive, que alegrias tive e que sofrimentos aturei.
Até porque sei que eles herdarão o que se chama no mundo espiritual de herança de carma, esta herança se você tiver como entender e decifrar será já um grande passo para te libertar de carmas passados dos quais você nem teve participação, mas que afectarão bastante ou até mesmo de leve sua vida.
Por isso decifra aos seus e estará decifrando à si mesmo.
Beijos.
Sonia.

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